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Entrevista: A Honda e o kartismo

Por: Flávio Quick em 08/02/2010 06:04:24

Neste começo de temporada o portal da RBC Preparações traz para nossos leitores um bate-papo com um dos responsáveis pela aplicação e venda dos motores Honda no kartismo brasileiro.

Delfim Gonçalves é atualmente gerente de Vendas e Pós-Vendas do departamento de produtos de força da Honda. Paulista, de 46 anos, ele trabalha na multinacional há 15 anos e, há três, no departamento de Produtos de Força.

Confira abaixo um pouco da história de como a Honda iniciou suas atividades no kartismo e como a implantação dos motores quatro tempos vem acontecendo no decorrer dos últimos anos.

RBC) Como a Honda iniciou suas atividades no mercado do kartismo?

Delfim Gonçalves: No final da década de 80, e início de 90, tivemos alguns “experts” apaixonados dessa modalidade desportiva que desenvolveram a categoria de karts com motores 4 tempos, tais como a ZF Racing, a própria Comissão Nacional de Kart e preparadores como a RBC Preparações, que muito ajudaram para a evolução desse esporte no Brasil. Ao desenvolverem o kartismo com esses motores, pensavam em tornar mais viável a prática do kartismo, uma vez que procuraram utilizar motores resistentes, duráveis, seguros e confiávies, sem perder a performance necessária para manter essa modalidade competitiva.

RBC) Além do Brasil, os produtos de força da Honda equipam karts em outras partes do mundo?

DG: Sim, são muito utilizados em karts da Europa e América do Norte. Recentemente, recebemos o informativo “Honda Network News Global” dando destaque para aplicação dos nossos motores da série GX, na África do Sul, num evento chamado “12-hour Wide Horizon Charity Race”. Enfim, são utilizados, praticamente, no mundo todo.

RBC) Quais os principais pontos positivos dos motores Honda para competições de kart?

DG:O ponto mais significativo é o custo operacional de um motor Honda. Para sustentar essa informação destacamos o menor investimento para aquisição de um motor Honda em relação a um motor de tecnologia 2 tempos, baixo valor de manutenção, peças de reposição disponíveis em todo o território nacional e aliado a tudo isso a confiabilidade da marca que é referência em qualidade e performance. Ainda cabe destaque para a questão ambiental, ao compararmos os níveis de consumo e emissão de CO2 entre um motor Honda e um motor 2 tempos veremos que a natureza agradecerá a preferência pelo Honda.

RBC) Existem hoje no mercado vários concorrentes como Branco, Toyama e Briggs, que também estão atuando nos mercados de competição. Como barrar o crescimento deles e continuar expandindo o mercado Honda?

DG: A “pirataria” se espalhou no Brasil, com CDs, DVDs, perfumes, equipamentos eletrônicos, enfim, praticamente, todas as marcas de fabricantes de produtos de qualidade e por conseqüência, que goza de ótima fama, de todas as áreas, têm sofrido esse tipo de concorrência.
Já era de se esperar que os nossos motores seriam também copiados, pois a sua qualidade têm fama mundial.
Estamos sempre fazendo a nossa lição de casa, participamos das principais corridas de kart, seja ela amadora ou promovida pela CNK, e observamos que o motor Honda é destaque por onde anda, tanto pela performance quanto pela durabilidade, e temos notado que o próprio mercado tem selecionado melhor os motores, principalmente, as classes mais esclarecidas, que sabem levantar o custo/benefício, considerando o velho ditado que diz “o barato sai caro”.
Sai caro, não apenas pela durabilidade, resistência e performance, mas também pela segurança. Penso que essa é a principal preocupação que o usuário precisa estar atento.

RBC) Apesar do pouco tempo neste segmento qual a representatividade que as vendas para o kart já apresentam para o departamento de produtos de força?

DG:A nossa linha de produtos é composta de motores estacionários, roçadeiras, geradores, motobombas, cortadores de grama e motores de popa. Se pensarmos apenas na linha de motores estacionários, a venda para o segmento do kartismo gira em torno de 2%. É um índice que tende a crescer a cada ano.

RBC) Os regulamentos do kart nacional apresentam hoje apenas 3 das 10 categorias com motores Honda. Existe algum plano de expansão neste sentido?

DG: Planejamos oferecer ao mercado, alternativas e consequentemente, após a consolidação dessas alternativas, poderemos, em conjunto com as comissões competentes, ampliar o número de categorias.

RBC) Alguns pilotos acostumados aos motores 2T reclamam da falta de potencia dos 4T na retomadas. Existe algum estudo por parte da Honda para colocar no mercado um motor com torque maior?

DG: Estamos atentos para cada novidade que a nossa matriz lança no mercado mundial, e estamos prospectando alguns produtos. Através de nossos parceiros, estamos realizando testes de viabilidade técnica. Provavelmente teremos novidades no curto ou médio prazo.

RBC) Quais as diferenças básicas de um motor 2T e um 4T?

DG: Apesar do maior número de partes móveis, complexidade, peso e volume, os motores de 4 tempos são mais eficientes, consomem menos combustível e óleo lubrificante, possuem menos ruído e vibrações e são menos poluentes.

RBC) No segmento do kart, como tem funcionado o desenvolvimento dos produtos?

DG: No momento, temos desenvolvido grandes parcerias que têm impulsionado a questão dos produtos para o kartismo.

RBC) Qual a importância da RBC neste processo e como a Honda vê esta parceria após 2 anos?

DG: Temos a RBC Preparação de Motores como uma grande parceira no segmento do kartismo, tanto na questão comercial, quanto na execução de testes de viabilidade técnica dos motores. Essa parceria se consolida a cada ano que passa, pois a intenção de ambas as partes é evoluir cada vez mais.

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